Minha desorganizada lista de livros

Muita gente me pede dicas de livros.
Eu prometo enviar sempre.
Não teve uma única vez em que cumpri minha promessa (foi mal aí).
Sempre quis fazer a lista perfeita.
Com categorias bem organizadinhas, talvez um banco de dados com tags e filtros para você encontrar o que procura de forma muito inteligente.
Mas percebi que os livros que me formaram não podem ser agrupados em caixinhas exatas.
E não vamos descobrir coisas novas procurando pelos mesmos caminhos.
Nessa minha lista abaixo, desorganizada, espero que você encontre algo que não esteja procurando:
Hitmakers, Derek Thompson (2017). A triste realização de que existem inúmeros fatores completamente alheios à obra em si, para ela seja um sucesso comercial. Dá angústia, resignação e, com sorte, ideias.
O Ato Criativo, Rick Rubin (2023). É a bíblia indispensável a qualquer artista. Lá você encontrará inspiração, reflexão, conforto e coragem para seguir em frente.
Elementos do Estilo Tipográfico, Robert Bringhurst (1992). Um clássico, com razão. E poesia, quem diria! “As letras têm vida e dignidade próprias”. Um livro essencial para quem está começando a se aprofundar no universo tipográfico.
Isso É Arte, Will Gompertz (2012). Esse autor é o professor de história da arte que eu gostaria de ter conhecido na época da faculdade. Se você está começando a se interessar, não tem erro.
Better, Simpler Strategy, Felix Oberholzer-Gee (2021). Este é um professor de estratégia de negócios de Harvard que conheci através do (hoje extinto) podcast After Hours. Ele ensina sobre temas complexos com a clareza de poucos por aí.
The Art of Looking Sideways, Alan Fletcher (2001). Um explosão de criatividade através da experimentação gráfica e verbal. Uma obra de peso. 2,5kg pra ser exato. Vale cada grama.
Reading Letters, Sofie Beier (2012). Um grande encontro entre ciência e tipografia. Uma boa base para quem quer ir um pouco além no conhecimento tipográfico.
O Perigo de Estar Lúcida, Rosa Montero (2022). Se você se sente angustiado ou com problemas sendo um criativo, bem vindo, aqui você encontrará a sua família e a longa lista de problemas mentais que nos acompanham desde sempre. Ele ajuda.
Coisa de Rico, Michel Alcoforado (2025). Vai te mostrar o jogo que você joga sem nem saber que está jogando. E deveria, infelizmente.
The Ride of a Lifetime, Robert Iger (2019). É a biografia do Bob Iger, que foi CEO da Disney por 15 anos (depois ele reassumiu na pandemia, com pouco sucesso, vou ignorar essa parte). Porque ele tem uma capacidade de articular estratégias e comunicar e viver seus valores que eu acho fascinante. Não encontrei nenhum livro sobre liderança (tradicional) melhor do que essa biografia.
O Trabalho Não Precisa Ser Uma Loucura, David Hansson e Jason Fried (2018). A pedra fundamental do modelo de gestão de uma empresa calma. Realmente mudou a minha forma de pensar uma empresa possível: humana e viável. Esse é o melhor livro sobre liderança (contemporânea) que eu já encontrei.
The Impossibility of Silence, Ian Lynam (2020). Traz reflexões sobre o processo de escrita para profissionais que tendem a se expressar de forma visual, como designers, artistas e fotógrafos. Sempre me ajuda.
The Stroke, Gerrit Noordzij (2005). A base da tipografia é a caligrafia e ninguém escreveu melhor sobre isso do que ele. Entender estes conceitos é fundamental para quem quer levar o desenho tipográfico à sério.
Criatividade SA, Ed Catmull (2014). É a história da Pixar do ponto de vista de seu fundador. Um clássico sobre como (tentar, errar, tentar de novo, e, com sorte ao longo do caminho) transformar criatividade em um negócio.
The Pixar Touch, David Price (2008). Se você quiser se aprofundar na história da Pixar e descobrir como era a vida destes artistas, visionários, na época em que renderizar apenas um frame de Toy Story podia levar de 45 minutos até 20 horas.
Só Garotos, Patti Smith (2010). Descobrir tudo o que a Patti Smith viveu em busca da sua arte com apenas 22 anos me fez sacudir do sofá.
O Discurso “Faça Boa Arte”, Neil Gaiman e Chip Kidd (2013). Estamos todos tristes com o Neil Gaiman, eu também. Tentando separar o autor da obra, este discurso traz lições fundamentais para qualquer criativo. E é materializado visualmente por um grande designer. Não tinha como ficar de fora desta lista. (Com a devida ressalva).
Equipe Humana, Douglas Rushkoff (2019). Há tempos o Rushkoff é aquele cara que faz as perguntas incômodas que nos esquecemos de fazer, deslumbrados com a tecnologia. E olha que este livro é de 2019.
Type: the Secret History of Letters, Simon Loxley (2004). Conta histórias fascinantes de grandes nomes da tipografia, de Guttenberg até Neville Brody, escrito para um público amplo (ou seja, uma delícia de ler mesmo para quem não é um nerd tipográfico).
Just My Type, Simon Garfield (2010). Com temática bem parecida com a do livro acima, este outro Simon também escreveu para um público mais amplo, mas neste caso, focando um pouco mais na história das tipografias em si e dos contextos de cada época.
O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams (1979). Nunca vi a criatividade sendo aplicada num texto tão divertido e profundo ao mesmo tempo.
Slow Productivity, Cal Newport (2024). Sou um grande fã do Cal Newport. Neste livro mais recente, ele defende e fundamenta que um modelo de trabalho mais devagar é até mais eficiente. Complementa o nosso modelo de gestão calma.
While You’re Reading, Gerard Unger (2007). Uma introdução a questões teóricas da tipografia de forma fascinante e muito acessível.
Theory of Type Design, Gerard Unger (2018). Em seu último livro, o Unger apresenta suas ideias com maior profundidade e riqueza de imagens. É leitura obrigatória para qualquer type designer sério.
Mudar: Método, Édouard Louis (2021). Esse livro mexeu profundamente comigo. Não vou dizer mais nada.
Jobs, Walter Isaacson (2011). Um clichê estar nessa lista? Sim. Você deve ler? Com certeza.
The Making of a Manager, Julie Zhuo (2019). Você conhece alguma história de um designer excelente que foi então promovido a gerente e ficou perdido? Então, a Julie conta a sua história trazendo lições valiosas, de forma muito autêntica.
Escritas: espelho dos homens e das sociedades, Ladislas Mandel (1998). Uma jornada sobre como as formas das letras se transformaram ao longo da história refletindo o espírito de sua época. (Ele foi colega do Adrian Frutiger na Deberny & Peignot).
The Visual History of Type, Paul McNeil (2017). Meu livrão ilustrado favorito sobre a história da tipografia.
A Evolução da Escrita, Carlos Horcades (2004). Eu não largava esse livro na época da faculdade. Uma introdução excelente e ricamente ilustrada sobre a história da escrita e sua evolução para a tipografia.
A Letra Impressa, Claudio Rocha (2013). Traz a evolução da tipografia através dos avanços da tecnologia, desde Guttenberg até a era digital, com muitas imagens.
Revista Tupigrafia, Claudio Rocha e Tony De Marco. A icônica revista brasileira de tipografia, com reputação internacional. Cada edição é um deleite aos olhos e aos curiosos. Um patrimônio do design nacional.
The End of Print, David Carson (1995). A obra fundamental do meu ídolo desde os tempos em que eu era um adolescente micreiro.
The Four, Scott Galloway (2017). Sou daqueles que ouviam o Galloway antes dele ficar famosinho, e estou feliz que suas ideias alcançam tanta gente hoje através da Prog G Media. Foi neste livro que ele trouxe uma visão bem original sobre estratégia de negócios e branding analisando as 4 maiores Big Techs da época.
How Brands Grow (Partes 1 e 2), Jenni Romaniuk e Byron Sharp (2010 e 2016). O melhor do marketing e estratégia de marca baseado em evidências.
Owning Game-Changing Subcategories, David Aaker (2020). Esse é o pai do branding. Aos quase 80 anos, ele escreveu este último livro, de onde tomei a decisão de nos posicionarmos como ‘fontes para marcas’.
Designing Type, Karen Cheng (2006). É um guia de consulta indispensável para quem está começando no desenho tipográfico.
Adrian Frutiger: Typefaces, Heidrun Osterer e Philipp Stamm (2008). É a coletânea da obra do type designer que mais admiro. Além da visão sistêmica, a variedade de estilos com que ele executa com alto rigor técnico é impressionante.


